sábado, dezembro 26

Tempo x Espaço

Pode passar um dia

Pode passar cem anos
Pode ser que você ía
Pode ser que seja como
Pode ser que seja engano...

O tempo alterou o que rumo tomou
Sem equilátero, sem esquadro
Brigaram assim tempo e espaço
Sem trela, com dor, sofrendo o cansaço

O surgir do sol traz amargo resultado
O espaço perdeu, o tempo venceu
O espaço ficou, você não voltou
O tempo passou e tristeza deixou


Eu choro você, é pungente perder
Pode ser que o tempo mude de idéia
Pode ser que o tempo traga você
Talvez o espaço se concilie com o tempo
Pode ser que você volte e aceite meu beijo
E assim te aceita, meu coração sempre atento


Vânia Leite

domingo, dezembro 13

Casa na árvore

Até meus 11 anos, eu tinha um sonho maior que eu. Meu sonho era ter uma casa na árvore. Eu tinha meus motivos para querer tanto essa casinha. Mas nunca refletia nesses motivos.
Depois de adulta, eu passei a ponderar sobre quais eram meus motivos para desejar aquilo.
Quando sente dor, quando se entristece, quando sente-se um camundongo encurralado, ou simplesmente quando você se cansa de tudo, o que mais deseja é uma casinha na árvore.
Hoje, eu percebo que não só continuo querendo a casinha, mas preciso dela!
Mas ela nem sempre deve ser concreta, eu posso simplesmente fechar meus olhos e entrar nesta casinha, fazê-la exatamente do meu jeito. E ali, na casinha abstrata, que vou encontrar o refrigério necessário implorado pela minha alma.

sábado, novembro 14

Sorriso

O sorriso desarma, encanta, atrai
Ajuda levantar aquele que cai
De tão afável o sorriso distrai
Ah sorriso ansiado.
Vem animar minha tarde,
Bem sabes que estou tão cansado
Sem você a melancolia me invade
Leva esta dor pungente que arde
Sorisso, sorriso
Traz o conforto que só você sabe!

Vânia M. Leite

quinta-feira, novembro 12

Chegada e partida

Chegou querendo partir
Partiu querendo voltar
Voltou sem saber ficar
Ficou tentando pensar
Decidiu partir sem saber seu lugar
Voltou confuso deixando o tempo explicar


Vânia M. Leite
 

sábado, novembro 7

Rogério Skylab me fez companhia na minha insônia

Ontem a noite fui tomada pela insônia; havia lido muito, conversei com uns e outros pela rede e resolvi sentar em frente a televisão (algo que há séculos não fazia). Mudei de canal feito homem, zapeava com o controle remoto de um canal para o outro rapidamente. Só encontrei dois canais que estavam apresentando algo realmente interessante. TV Brasil passava um documentário sobre os índigenas colombianos e argentinos; não fosse o maluco que estava na globo eu teria assistido o documentário da TV Brasil até o fim, estava muito interessante mesmo.


Sobre o maluco? Sabe lá Deus o motivo, mas sou profundamente atraída por gente esquisita, excêntrica, enigmática. E foi partindo desta atração que decidi abrir mão do documentário para assistir o tal maluco que estava no programa do Jô Soares.

Se trata de uma figura chamada Rogério Skylab. Simplesmente sensacional todo aquele jeito dele. Completamente autêntico, original, de uma simplicidade apavorante. Ele age e fala como se estivesse sozinho. Sabe aquela coisa de quando você está sozinho no seu quarto e começa a fazer maluquices que não faria em público, tipo pegar uma vassoura e sair dançando, pegar qualquer objeto que dê uma vaga lembrança de um microfone e cantar baixinho mas fazendo aquelas caretas que parece que você está cantando no Rock In Rio? É mais ou menos isso.

Rogério Skylab é o nome artístico do carioca Rogério Tolomei Teixeira, nascido em dois de setembro de 1968.

Rogério tem formação em filosofia e letras.

Suas composições são tão excêntricas e instigantes quanto ele mesmo. A forma como ele se contorce ao cantar, suas feições dão um tom sem comparação, ao que está cantando. Rogério me faz lembrar um dos meus ídolos Lobão.

Nesta entrevista ele mencionou o filme do Herbert Viana. Herbert contou que seu maior sonho era ser aviador, pilotar como seu pai, mas sua visão limitada o impediu. Ingressou no mundo da música. Qual foi seu primeiro e maior sucesso? Quem não se lembra? "Óculos".
O que era seu "defeito", digamos assim, foi justamente o que deu o "up" na sua carreira.
Rogério citou isso ao falar um pouco de si mesmo. Nem sempre o que parece o fim é de fato o tal fim. Se algo em você parece ruim e você tem que conviver com aquilo, então transforme o "defeito" numa qualidade aproveitável.

Encontrei blog e site oficial dele fuçando por aí:

Blog: http://godardcity.blogspot.com/
Site: http://www.rogerioskylab.com.br/

Vale muito a pena espiar, tem muita coisa interessante, ou melhor dizendo, tudo lá é interessante!


Curti muito este poema

Furo


Havia um furo bem no meio.
Pelas bordas podia se ver,
senão imaginar, o inimaginável:
o furo ali estampado.
Imaginam-se as tripas, as vísceras,
as convulsões, a hemorragia...
porque tudo isso é possível.
Até mesmo o olhar absorto
de um Homem que vai morrer,
a gente pode imaginar.
Por exemplo: ele foi à padaria
e nunca mais voltou pra casa.
Mas aquele furo não dizia nada.
Era um furo fora de toda História.


Enfim, Rogério é uma figura genial! Gamei no doidão! Mereceu um pedaçinho sobre ele aqui.

sábado, outubro 24

Perder

O dia que você me deixou a atônia me petrificou.
Naquele dia você olhando nos meus olhos parado em minha frente, verbalizando aquela novidade estarrecedora só estava presente em físico; sua frieza o fez mais distante que uma colina está do fundo do mar.
Quanto a mim? Nem poderia te tocar.
Assim como o mar não pode tocar o topo da colina, tão píncara, fria e distante.
Roubou meu espírito, gatuno! Fugindo adiante.
Deixou uma velha casca vazia e morta, tirou do meu mundo toda cor restando apenas um vazio sórdido e cinza.
E daquele instante até hoje ficou firmemente estabelecida uma angústia permanente.
Maldita dor poderosa que arranca o sorriso da gente
   
Vânia M. Leite

terça-feira, outubro 13

Ideologia

Quando criei este blog, tinha em mente postar somente textos escritos na íntegra por mim, porém, um certo alguém de uma inteligência que eu tenho adoração me enviou um texto que achei muito bom. Com a autorização do mesmo decidi postá-lo para que você leitor deste meu blog possa usufruir esta leitura interessante assim como eu tive esse privilégio.





Ideologia é um termo usado no senso comum contendo o sentido de "conjunto de idéias, pensamentos, doutrinas e visões de mundo de um indivíduo ou de um grupo, orientado para suas ações sociais e, principalmente, políticas". No entanto a definição que melhor expressa essa palavra atualmente é originada da concepção de Karl Marx , ou seja , ideologia é um instrumento de dominação que age através do convencimento (e não da força), de forma prescritiva, alienando a consciência humana e mascarando a realidade.

Atualmente o conceito de ideologia esta presente de forma ativa no universo corporativo, e é utilizado como método de ampliação do capital . A grosso modo , temos o capital constante que é representado pelos meios de produção ( máquinas ) e o capital variável representado pela mão-de- obra . Em um universo industrial ou comercial não basta ter o homem e a máquina , é necessário o incentivo para que o homem trabalhe ,e já que o salário não configura como um incentivo suficiente , torna-se necessário para que haja a produção outros meios de “incentivos” que force o trabalhador a executar de forma eficiente o seu trabalho .

Existem inúmeros modos para que o padrão obrigue o empregado a trabalhar , porém para que possamos permanecer no foco falaremos somente da ideologia .

Como já foi dito a ideologia funciona como um incentivo , e sua base está alicerçada no discurso prévio, ou seja, antes de fazer, independente do que será feito, é necessário convencer aqueles que serão alvos, de que a ação é extremamente necessária. No entanto o que fica mascarado é que o discurso frequentemente apresenta uma visão unilateral favorecendo o ponto de vista do criador do discurso, ou seja, da parcela dominante.

Ideologia é um discurso falso impregnado de meias verdades onde são revelados os pontos positivos que beneficiará o lado dominante, e onde permanecerão omitidos os pontos negativos que serão destinados a grande parcela explorada .

Inseridos no discursos ideológicos existem importantes pontos que os caracterizam. O lado que possui os meios de produção enfatizam a idéia de igualdade entre todos , dizem que basta o esforço do empregado para que o mesmo cresça e possa ter um grande retorno financeiro, porém, omitem o fato de que o empregado nunca terá acesso aos meios de produção, isto é, de forma geral, será sempre empregado, e por fim não estará produzindo um retorno financeiro para si mesmo, e sim ampliando cada vez mais a riqueza daqueles que detém os meios de produção. É comum o emprego de frases de efeito como : “ Eu era igual a vocês”, “Eu comecei de baixo e trabalhei muito para chegar onde estou”, frases como estas podem ser verdadeiras, porém, este é somente um exemplo individual e até mesmo exclusivo; o problema está no fato de utilizar este exemplo como algo que é corriqueiro , comum a todos os funcionários .

Obviamente esses argumentos somente são utilizados porque funcionam, não são poucos aqueles que acreditam no auto crescimento profissional e pessoal a partir da dedicação exclusiva ao emprego. Como já dito anteriormente isto de fato pode ocorrer, no entanto como resultado comum deste processo temos para as empresas o extraordinário retorno financeiro obtido em decorrência da exploração dos empregados, e para a maioria dos empregados a reprodução contínua de uma vida extremamente limitada que proporciona, quando proporciona, a manutenção de uma sobrevivência miserável .

A maioria dos empregados já alienados sonham em ter o estilo de vida do patrão, o patrão por sua vez faz questão de dizer que isto é possível , no entanto somente diz, tendo consciência que o esforço do seu empregado à procura do inalcansável trará lucros exorbitantes para a sua empresa, e caso o empregado não cresça na empresa, o que é muito provável já que é 1 em 1 milhão, basta culpá-lo pela sua incompetência e incentivá-lo para que haja um maior esforço e o mesmo não seja taxado novamente de incompetente .

Exemplo prático do método ideológico vigente no mundo corporativo é adotado em determinada empresa a qual omitiremos o nome verdadeiro e daremos o nome fantasia, porém, muito propício , de “Inferno com divisórias” . Nesta empresa ocorrem diferentes campanhas motivacionais, no entanto, semelhantes ao discurso ideológico. O objetivo é sempre o de demonstrar a “preocupação” que a empresa tem com o reconhecimento do seus funcionários, se gabam dizendo que nenhuma outra empresa faz o que eles fazem, porém, como característica do discurso ideológico omitem a verdade.
A recente campanha funciona da seguinte maneira : Em uma empresa terceirizada que congrega seguradoras de automóveis ganha a campanha quem indicar o maior número de técnicos que consertem os veículos segurados. A premiação é equivalente a 10 vezes o valor do salário e isto causa um empenho incomum no trabalho dos funcionários .

Como parte da ideologia é feita uma vasta propaganda que sempre mantém a idéia de “ Só depende de você” . Imagine o lucro que uma empresa terá introduzindo na mente de cerca de 2500 funcionários que só depende de você ganhar o equivalente a 10 salários . O fato do empenho dos empregados ser capaz de produzir no mínimo 1000 vezes mais do que o valor da premiação óbviamente não é revelado dando a impressão que a empresa esta realizando campanha tendo como objetivo a satisfação dos funcionários .

Além do valor do prêmio não representar nem ao menos 0,0001 do retorno que ele mesmo produziu, outro fato é que a premiação não atinge nem cerca de 10% dos participantes, penso que se a empresa realmente estivesse interessada em gratificar seus funcionários pensaria em uma política que abrangesse o maior número de funcionários possíveis e agiria para combater as carências básicas que são apontadas constantemente pelos funcionários de menor remuneração, como por exemplo um alimentação de qualidade e plano de saúde que atenda as necessidades.

Enfim, através desses exemplos fica demonstrado a maneira de agir do discurso ideológico e a esperança de que mesmo que façamos o que o capital ordena faremos com a consciência de que ao menos estão escondendo algo de nos e perdermos e ingenuidade em achar que eles são os mocinhos que vieram nos salvar.
 
A.S. Martins

segunda-feira, outubro 12

EAD

Eu estudo em uma universidade que implantou o EAD, infelizmente. A disciplina escolhida foi Metodologia. Honestamente tem sido dificil aceitar essa novidade. Para todos os meus colegas de sala o conceito é o mesmo, não se aprende da mesma forma que seria com o professor em sala, te olhando nos olhos.Não dá para aceitar que isso se propague. A qualidade do ensino diminui, o interesse diminui consequentemente o aprendizado sofre uma anemia. Qual é o propósito por trás do EAD? Qual é a intenção? Presumo que se trata de uma redução de custo para o Estado que aos poucos irá substituir os professores por máquinas. Independente de qual seja o interesse por trás deste projeto, ele só pode beneficiar quem o inventou, os professores e os alunos não o aprovam. Seria interessante termos as aulas presenciais diariamente como de costume e posteriormente ter o EAD como adicional para esclarecer alguma dúvida que possa surgir enquanto se estuda fora das dependências da universidade ou algo parecido, essa ferramenta do EAD seria muito útil sendo usada como extracurricular, mas utilizá-la para substituir a aula presencial é inadmissível. E onde fica a relação milenar Tutor - Aprendiz? Será que a era tecnológica vai sufocar mesmo todas as nossas relações? E o companheirismo, os laços que fazemos quando estamos numa universidade? Não se trata de simplesmente aderir ao conforto de sentar-se em frente ao computador, ler o que está proposto lá e responder algumas questões. Se trata de realmente aprender. Qual será de fato a qualidade do ensino se essa coisa do "EAD" for disseminada? Qual será o futuro dos profissionais que se formarão dentro desta modalidade? Imagine um psicólogo, um engenheiro, médico com formação pelo EAD? Você poderia encarar tal profissional como alguém realmente capacitado, habilitado para exercer a sua função?
Sem falar no futuro da profissão Professor. O que vai acontecer com eles? O dom de entrar em uma sala de aula e desenvolver a cada dia uma aula de forma que envolva os alunos, os leve a raciocinar, criar opinião própria, o vínculo professor - aluno, onde vai parar? Não é justo que o EAD seja disseminado, temos que nos posicionar e impedir que esta modalidade de ensino seja implantada de forma geral. Em algumas disciplinas pode-se até aceitar, mas otimizar o ensino numa máquina é absurdo, repugnante à razão, insensato.

Abaixo o EAD!

Vânia M. Leite

Grito de guerra

Ficar de braços cruzados olhando a banda passar?
Isso combina com quem não sabe onde quer chegar, quem tem medo de sair do anonimato, quem tem horror a derrotas.
Quando você se coloca na linha de frente para defender um ideal óbviamente também está se sujeitando ao risco imenso da derrota. Ora bolas e desde quando o risco de ser derrotado impediu grandes homens e mulheres? Quantos nomes nos passam na mente quando falamos em grandes revoluncionários? Dúzias no mínimo.
Escolhemos, nos juntar a eles nem que seja numa pequena massa, ou permanecer na velha rotina, que reconhecidamente não é boa, porém, é conveniente. É cômodo ficar estagnado, paralisado.
O medo de explorar, desafiar, arriscar-se impede o progresso, a melhora, o novo.
O medo nos torna inúteis, nos imobiliza, nos faz reféns. Seja no aspecto político, econômico, social permitimos que o comodismo e o medo nos amarrem em correntes de aço.
Que isso? Onde vamos parar deste jeito?
Soltemos um grande grito de guerra, larguemos de bobagens, pintemos a cara para o ataque, vamos dobrar as mangas e lutar com unhas e dentes pelos nossos ideias, sejam eles nobres ou patéticos. Sempre serão nossos ideiais!
Alguém me disse que esse meu discurso já está manjado. Mas esse mesmo alguém permanece na inércia. Por qual motivo? O que mencionei antes, é confortável ser empurrado com as massas, não ter que modificar, não ter que alterar o curso caótico das coisas.
Isso é História, ela está se construindo hoje também. O que passa para trás nem que for por apenas um minuto caiu na História.
Concordo, o discurso é velho, manjado, saturado, mas a grande verdade é que a maioria ouviu, ouviu, ouviu, ouviu e não fez nada, ou melhor dizendo, fez sim, decidiu que esse "discursinho manjado" é coisa de bobo e optou pela velha e cômoda rotina.
Fico eu aqui com meu "velho discursinho" mas que me impulsiona para as "novas ações"
Como diria Superman : "Para o alto e avante!"

Vânia M. L.

Foulks

Foulks
Foulks, sempre de bom humor esbanjando sorrisos. Sabe-se lá o motivo, mas ele tem paixão por morangos ao chocolate (não deveria ser queijo? enfim...)

Joe

Joe
Joe, vai ao delírio por paçocas! É muito dorminhoco, mas seu pior crime é literalmente saquear os queijos da geladeira em plena madrugada.

Fly

Fly
Fly, muito tímido, mas depois que faz amizade é para sempre. Acorda cedo, sempre com muita disposição, costuma dedicar-se a finco em suas atividades musicais.

Bob e Bilan

Bob e Bilan
Bob e Bilan, esses dois andam tão juntos que alguém acaba pensando que são gêmeos siamêses. Se dão muito bem, mas não passa um dia sequer que ambos não tenham uma discussão. Com o tamanho da amizade logo resolvem e fica tudo em paz.

Demetrius

Demetrius
Demetrius, muito falante, porém, bastante observador. Adora levar um pedaçinho de queijo para cama, dorme comendo pedaçinho por pedaçinho.

Dherick

Dherick
Dherick, sujeito de poucos amigos pelo fato de aparentar ser carrancudo. Não é de muita conversa, gosta de ser reservado. Não passa um dia sequer sem ler o jornal.

Jacks

Jacks
Jacks, este é o "Sr Certinho", perfeccionista, não aceita uma nota sequer no momento ou tom errado. Costuma dormir muito tarde só para ficar deitado na varanda contemplando o céu.

Manfred

Manfred
Manfred, meio desajeitado, mas bom sujeito, dócil e afável, sujeito que todos querem por perto.