quarta-feira, agosto 25

Sonhos

  Meu pai costumava contar que quando ele era um garotinho, frequentemente sonhava que estava voando e repentinamente despencava, num susto alucinado acordava. Era então, acometido por duas fortes sensações: o prazer de planar como um pássaro livre, céu afora, em seguida a sensação sombria do medo. Papai não se recorda ao certo em que idade parou de ter estes sonhos, mas lamenta que as noites não mais os produziram no solo fértil de sua mente em repouso.
  Curiosamente, eu também tinha um sonho similar. Mas não revelava para ninguém, como qualquer criança distraída, eu simplesmente aproveitava este sonho. Um penhasco sobre um vale. Tudo num tom rosado, como que num fim de tarde. Eu sentada num alasão de asas. Eu ingenuamente, não sabia que cavalo com asas é mais popular na Grécia Antiga como o famoso Pégasus! E diferente do sonho do meu pai, eu me deleitava sentada sobre aquele poderoso animal. Viajava nele sobre aquele vale suavemente... mas acordava com um sentimento devastador de perda irreparável. A realidade ao acordar era infinitamente diferente, mas o sonho me dava por instantes uma falsa esperança de felicidade e paz. Como meu pai, eu também não me recordo em que idade esse sonho me abandonou, mas lamento tanto! Que pena...
  Hoje, sendo uma mulher, eu me vejo muitas vezes ilhada de problemas, dificuldades, tristezas reservadas carinhosamente pela vida, e me vejo perplexa, como que sem saída. E muitas vezes, diante de tal perplexidade, eu me deito, fecho os olhos em silêncio, e sento nas costas do meu Pégasus, e imploro para que ele me leve para planar suavemente num vale rosado, com ar de tristeza, mas contraditóriamente regado de tranquilidade. E vivo assim, um dia de cada vez... para assim, não abandonar a vida.

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Foulks

Foulks
Foulks, sempre de bom humor esbanjando sorrisos. Sabe-se lá o motivo, mas ele tem paixão por morangos ao chocolate (não deveria ser queijo? enfim...)

Joe

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Joe, vai ao delírio por paçocas! É muito dorminhoco, mas seu pior crime é literalmente saquear os queijos da geladeira em plena madrugada.

Fly

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Fly, muito tímido, mas depois que faz amizade é para sempre. Acorda cedo, sempre com muita disposição, costuma dedicar-se a finco em suas atividades musicais.

Bob e Bilan

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Bob e Bilan, esses dois andam tão juntos que alguém acaba pensando que são gêmeos siamêses. Se dão muito bem, mas não passa um dia sequer que ambos não tenham uma discussão. Com o tamanho da amizade logo resolvem e fica tudo em paz.

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Dherick, sujeito de poucos amigos pelo fato de aparentar ser carrancudo. Não é de muita conversa, gosta de ser reservado. Não passa um dia sequer sem ler o jornal.

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Manfred, meio desajeitado, mas bom sujeito, dócil e afável, sujeito que todos querem por perto.